25 agosto 2012

A história do camafeu

25 agosto 2012

Quando eu era pequena minha avó prometeu que um dia me daria de presente o camafeu lindo que usava no pescoço amarrado com uma fita preta de veludo. E ainda por cima, pra me deixar mais louca pelo acessório, me contou uma história fabulosa sobre essa peça encantadora, delicada, feminina e com um toque de mistério. Ela me disse que os camafeus clássicos traziam em alto relevo imagens de deuses e deusas da mitologia greco-romana, de governantes, imperadores, reis e rainhas (como este da imagem acima que mostra o faraó Ptolomeu, antepassado de Cleópatra). Quando uma mulher, lá nos idos de 3500 a 2000 a.C, usava uma peça dessas ela se mostrava aberta ao amor e aos prazeres, pois camafeus naquele tempo remetiam diretamente ao deus Eros, mais conhecido como Cupido. Curioso que com o passar do tempo as figuras reproduzidas nos camafeus passaram a ser feitas sob encomenda e geralmente pedia-se que fossem reproduzidos neles o rosto ou o perfil de algum familiar querido, do marido ou da mulher. Em tempos sem fotografia, poder ter seu amado ou amada retratados em uma joia pra ficar agarradinha ao pescoço era de fato um privilégio para poucos. Me tornei aficcionada por camafeus, inclusive o doce, batizado com o mesmo nome e feito de nozes, é um dos meus preferidos!
Camafeu vem do latim e significa pedra esculpida ou pedra talhada. No mundo existem diversos fabricantes desse acessório mas somente dois lugares  são reconhecidos como especializadíssimos em lapidar camafeus. Um fica em na Itália na região de Nápoles, é a cidade Torre del Greco que usa até hoje conchas vindas de Madagascar e das Bahamas para criar os perfis nos medalhões, o outro lugar fica na Alemanha na cidade de Idar-Oberstein que usa predominantemente pedras de ônix e ágata e lá atualmente se valem de computadores para fazer o corte das pedras bem precisos e assim manter um padrão de design.
Recentemente enquanto procurava na internet um presente especial para uma grande amiga na hora pensei: vou dar um camafeu pra ela! Encontrei camafeus revistados,modernosos e inusitados, com caveirinhas e até com mensagens “Keep calm”, prova de que quando uma ideia é boa o bastante ela sobrevive e se transforma ao longo do tempo e das gerações e não morre nunca! Ah, só pra vocês saberem: eu ainda disputo o camafeu com minha prima, espero que depois deste post ela se convença de que sou a neta mais velha e a mais impactada na vida pelo camafeu vitoriano da vovó.

Belíssima também e cultura .Xoxo Nê
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